19º programa eleitoral expõe denúncias sobre relações do adversário com milicianos e detalha quatro frentes de combate ao crime, com integração das polícias, retomada de territórios e enfrentamento ao poder financeiro das facções
O crime organizado não se limita ao tráfico de drogas. Em comunidades dominadas por milícias, ele determina quanto custa o gás de cozinha, controla o acesso à internet, cobra taxas de moradores e interfere até no preço do pão. É a realidade de famílias brasileiras, retratada no 19º programa eleitoral do presidente Lula, que levou ao debate sobre segurança pública as denúncias de ligações de Flávio Bolsonaro com milicianos e apresentou um plano para enfrentar as facções criminosas em todo o país.
Exibido nesta terça-feira (13/10), o programa reuniu depoimentos de moradores de comunidades do Rio de Janeiro, que tiveram suas identidades preservadas por segurança. Os relatos mostram como as milícias impõem cobranças sobre serviços essenciais e transformam o cotidiano da população em uma fonte de financiamento para o crime. A propaganda também recuperou a informação de que Flávio Bolsonaro negociou a liberação de emendas parlamentares com um miliciano condenado no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco.
Em contraponto, Lula apresentou sua proposta para fortalecer o combate ao crime organizado, com atuação conjunta do governo federal, estados e municípios. O presidente destacou que a falta de integração entre as forças de segurança favoreceu, durante décadas, a atuação das organizações criminosas. “Durante muito tempo, a Polícia Federal não falava com a Militar. A Militar não falava com a Civil e ninguém falava com a guarda da sua cidade. Sabe quem adorava isso? O crime. Porque facção não respeita divisa de estado”, afirmou.
A proposta é criar o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), permitindo que as diferentes forças compartilhem informações, inteligência e estratégias de atuação. “Todo mundo conectado, olhando a mesma tela, atrás do mesmo bandido. É isso que eu quero no Brasil inteiro”, resumiu Lula. O presidente identificou quatro alvos prioritários dessa estratégia: os traficantes; os agressores de mulheres; os ladrões de celulares; e os grandes financiadores do crime organizado.
COMBATE – O programa detalhou quatro frentes de enfrentamento à criminalidade. A primeira prevê colocar a inteligência no comando das operações, com a Polícia Federal atuando em conjunto com as polícias estaduais e forças municipais. A segunda estabelece a transformação de 138 presídios estaduais em unidades com padrão federal de segurança máxima. A terceira frente é a retomada de territórios dominados por organizações criminosas, com o avanço das forças de segurança para devolver ruas e bairros à população.
A quarta busca sufocar financeiramente as facções, ampliando operações contra lideranças criminosas infiltradas na política e no mercado financeiro, inclusive na Faria Lima, a exemplo da Operação Carbono Oculto. No governo Lula, a asfixia financeira ao crime organizado resultou na apreensão de cerca de R$ 17 bilhões de bens e valores dos criminosos. A estratégia é seguir o dinheiro, identificar os responsáveis pelo financiamento das organizações e interromper os recursos que sustentam suas atividades.
O programa também anunciou a ampliação do Celular Seguro, iniciativa voltada ao enfrentamento de roubos e furtos de aparelhos, para combater a cadeia criminosa que lucra com esses delitos. O aplicativo permite o bloqueio do aparelho pelo usuário. De 2022 para 2025, o roubo de celulares caiu 37% no país.
CONGRESSO – Lula lembrou que encaminhou ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para fortalecer o papel do governo federal na segurança pública e ampliar a integração entre as forças policiais. A proposta já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e está no Senado desde março deste ano. Ele cobrou o apoio dos parlamentares ligados a Flávio Bolsonaro para permitir o avanço da medida. “Eu espero que a bancada do Flávio Bolsonaro vote para que a gente possa, de uma vez por todas, combater o crime organizado”, declarou.
Na reta final, o programa reforçou o contraste entre as denúncias apresentadas contra o adversário e o projeto de segurança pública defendido por Lula, baseado em inteligência, cooperação entre as polícias, retomada de territórios e combate ao financiamento das facções.
Fonte: Site LULA










