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Lula: ‘O que posso oferecer à juventude brasileira é acesso à educação e à cultura’

Em conversa com influenciadores, Lula reforça que fará educação em tempo integral em todo o país, detalha reformas política e do Judiciário e critica falta de propostas de Flávio Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou um recado à juventude brasileira e fortaleceu, mais uma vez, sua crença de a transformação de um país depende da educação.

“A melhor coisa que eu posso oferecer pra juventude brasileira nesse momento é o seguinte: acesso à cultura e acesso à educação. Se você, meu querido jovem, tiver possibilidade de estudar e tiver acesso à cultura, você já está com 80% do seu caminho andado. Aí é você confiar em você”, disse Lula nesta quarta-feira, 30, durante conversa com os influenciadores digitais Ricardo Mello, Bárbara Carine, Lauany Schultz e Kenji Normose nos jardins do Palácio da Alvorada.

O presidente destacou como prioridade para um quarto mandato a expansão da educação pública e a unversalização da educação integral, também no ensino médio, combinando o ensino de disciplinas tradicionais com temas contemporâneos como meio ambiente e prevenção da violência contra as mulheres.

Lula destacou que “a palavra gasto não existe na educação”, elencando que é fundamental investir em programas que garantam a permanência dos estudantes nas escolas e a formação profissional.

“Como eu não tive chance de estudar, eu quero que todas as pessoas tenham a chance que eu não tive”, disse.

Lula também anunciou que pretende ampliar o alcance do programa de incentivo à permanência dos estudantes no ensino médio público. “A outra coisa é universalizar o Pé-de-Meia”, afirmou. O programa foi criado para reduzir a evasão escolar entre estudantes do ensino médio público.

O governo identificou cerca de 500 mil jovens que deixavam os estudos para ajudar no orçamento familiar e a criação de uma poupança vinculada à permanência na escola foi uma resposta a esse problema, explicou o presidente. Lula ainda falou emocionado sobre os como a educação pode mudar trajetórias de vida.

“Quando eu vejo uma filha de uma empregada doméstica disputar uma vaga na universidade e ela ganhar, sabe, é minha realização”, destacou.

Bets e o impacto no orçamento das famílias
Lula também abordou medidas que tomou para diminuir o endividamento das famílias, como a criação do “Desenrola” e a proibição das bets no Brasil.

As apostas, enfatizou, passaram a retirar recursos do orçamento das famílias e da economia, chegando a R$ 141 bilhões, o equivalente a cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB), do país.

“Eu venho dizendo há muito tempo pra minha equipe econômica: eu acho que essa dívida está ligada aos novos hábitos de consumo da sociedade e está ligada a tal das bets”, disse o presidente, afirmando que a prioridade deve ser proteger a população dos efeitos financeiros e sociais provocados pelas apostas.

Lula também afirmou que a dependência em apostas, doença conhecida como ludopatia, precisa ser tratada como uma questão de saúde. A enfermidade já é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Nós vamos ter que preparar o SUS para atender essas pessoas, inclusive atender à distância, fazer teleconsulta, por telefone, pela internet, pra gente colocar psicólogo para cuidar dessas pessoas. Eu sei que é uma doença”, disse.

O presidente chamou atenção sobre a diferença entre o endividamento provocado pela perda da capacidade de pagamento e o mocimento relacionado à aquisição de bens e à formação de patrimônio. Para o presidente, o crédito pode contribuir para movimentar a economia quando utilizado de forma compatível com a renda das famílias.

Reformas para recuperar o presidencialismo
Lula afirmou que pretende abrir duas discussões estruturais no país: uma reforma política e outra do Poder Judiciário. O presidente relacionou as mudanças à necessidade de recuperar a capacidade do Executivo de implementar políticas públicas, enfrentar as distorções do financiamento eleitoral e ampliar a participação da sociedade nas decisões sobre o funcionamento das instituições.

“No Brasil, o presidencialismo foi sequestrado”, declarou. Retomando suas críticas à perda de autonomia do governo sobre o orçamento, Lula questionou o poder acumulado pelo Congresso sobre a destinação de recursos públicos e sobre as agências reguladoras.

Segundo o presidente, as agências foram criadas para regular setores a partir das políticas públicas estabelecidas pelo governo, mas passaram a sofrer uma interferência que desvirtua essa função. Lula atribuiu ao período de Jair Bolsonaro o avanço do controle do Congresso sobre esses órgãos e criticou a presença de representantes de interesses empresariais nas estruturas de regulação.

Na discussão sobre o orçamento, Lula ressaltou que cabe ao Executivo estabelecer prioridades e executar as políticas para as quais recebeu o mandato popular. Na avaliação do presidente, a concentração de recursos em emendas voltadas aos interesses eleitorais de parlamentares compromete esse planejamento e desequilibra a própria disputa democrática.

Para ilustrar o problema, citou a diferença entre um deputado que dispõe de R$ 60 milhões ou R$ 70 milhões por ano em emendas e uma pessoa que sai de um movimento social para disputar sua primeira eleição, sem acesso a uma estrutura semelhante. Segundo Lula, essa desigualdade dificulta a renovação política e impõe obstáculos adicionais às candidaturas populares.

O presidente também foi enfático sobre os fundos partidário e eleitoral. Disse que mudou de posição em relação aos instrumentos que ajudou a defender e que pretende trabalhar pelo fim do modelo atual.

“Eu, que fui defensor do fundo partidário e do fundo eleitoral, hoje sou taxativamente contra. Acho que levou os partidos políticos a uma coisa chamada promiscuidade”, declarou.

Para viabilizar as mudanças, Lula apontou a necessidade de mobilização de movimentos sociais, sindicatos, igrejas, imprensa e redes digitais. A participação popular, explicou, será decisiva para pressionar por uma reorganização do sistema político.

O mesmo princípio orienta a proposta de reforma do Judiciário. Lula disse que pretende envolver entidades de caráter nacional e especialistas na discussão de novos critérios para a escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal. A ideia apresentada é constituir um conselho que participe desse processo, ampliando a contribuição da sociedade.

“Eu não posso escolher alguém porque eu gosto de alguém. Eu tenho que escolher alguém que esteja à altura do cumprimento da função”, afirmou. Entre os requisitos, enumerou caráter, dignidade, competência jurídica e capacidade intelectual.

Segundo o presidente, o objetivo é recuperar a credibilidade do Judiciário, especialmente da Suprema Corte, e assegurar que o exercício do cargo esteja inteiramente subordinado ao cumprimento da Constituição. Lula criticou a busca de enriquecimento por integrantes do tribunal e afirmou que a função exige dedicação ao interesse público.

Da Rede PT de Comunicação

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