Durante debate na Globo, candidato do PT ao Governo de São Paulo questionou bolsonarista sobre temas que afetam o cotidiano dos paulistas
O candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad, participou do último debate na TV Globo, nessa terça-feira, 29, antes do primeiro turno das eleições. Haddad debateu com o atual governador e postulante à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O petista cobrou Tarcísio em relação a temas que impactam o cotidiano da população paulista, como educação, saúde, transporte e segurança pública, além de apresentar soluções para problemas que o bolsonarista não conseguiu lidar em quatro anos de mandato.
Durante o debate, Haddad condenou a queda da qualidade das escolas públicas em São Paulo e defendeu uma reforma do ensino médio inspirada no modelo dos Institutos Federais, unindo educação e formação profissional. “Nós não podemos ser o décimo lugar. Nós nunca passamos esse vexame na história de São Paulo. Nós temos que voltar a estar entre os três primeiros“, pregou.
Em seguida, o candidato do PT descreveu sua proposta para reverter o quadro. “Nós vamos pegar um modelo do Instituto Federal, é um modelo pedagógico que eu criei quando era ministro da Educação. Hoje, nós temos 750 unidades no Brasil e é o melhor ensino médio do Brasil, público ou privado. Ele é comparável ao da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico] e, em algumas provas, ao da Coreia”, destacou.
Haddad ainda ressaltou que investir em educação profissionalizante é garantir o desenvolvimento do Estado. “É um crime que nós estamos cometendo com a juventude paulista, sobretudo no momento em que, pela reforma tributária e com o fim da guerra fiscal, nós podemos trazer a indústria do mundo inteiro para cá. Só que essa indústria vai exigir profissionais de alta qualidade. E sem um ensino médio de alta qualidade, nós não vamos conseguir”.
O petista lamentou a queda da taxa de alfabetização na idade correta, outro retrocesso do governo Tarcísio na educação. “Você falou que você tem um programa de alfabetização na idade certa para os prefeitos? Não está funcionando, porque São Paulo ficou abaixo da média nacional. O último dado divulgado: 66% das crianças alfabetizadas na idade certa, no Brasil, e, em São Paulo, 61%”, comparou.
Políticas de inclusão social
Haddad ainda argumentou que Tarcísio não foi capaz de desenvolver na educação pública paulista uma política de inclusão voltada às crianças com deficiência. “Ele citou que quando era ministro da educação fez o maior programa de inclusão da história do Brasil, chamado BPC [Benefício de Prestação Continuada] na Escola.
“O MEC [Ministério da Educação] fez uma parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e preparou a escola com salas multifuncionais e profissionais capacitados para receber essas crianças. Foram 400 mil crianças. Não é a realidade de São Paulo hoje. Vá numa escola estadual, com alto índice de crianças com deficiência, e você vai ver que você está obrigando as mães a ficarem na escola, porque não há profissionais qualificados para recepcionar essas crianças. Não há uma política de inclusão correta no estado de São Paulo. As pessoas estão desesperadas”, completou Haddad.
Algumas dessas mães a que o candidato do PT se referiu no debate são mães atípicas, mulheres que criam e dedicam suas rotinas ao cuidado de filhos com deficiências, síndromes genéticas ou transtornos do neurodesenvolvimento, como o autismo, por exemplo. Haddad relatou que um dos momentos mais tristes de sua campanha foi quando visitou essas mães para receber as demandas delas.
“Mãe que teve que ficar o dia inteiro com o filho, porque você acabou com o atendimento especializado dentro da escola. Não tem quem cuide das crianças enquanto a mãe trabalha, enquanto a mãe faz seus afazeres”, apontou Haddad, dirigindo-se a Tarcísio.
Descaso com a saúde
Em relação à saúde pública, Haddad mostrou que o Governo Lula precisou recompor, a partir de 2023, os recursos federais cortados pela administração Bolsonaro, da qual Tarcísio fez parte como ministro, antes de se eleger governador de São Paulo.
“Nós distribuímos isso por todos os governadores, inclusive para você em São Paulo, pelas regras do SUS [Sistema Único de Saúde], sem nenhuma discriminação, como tudo que o Governo Federal fez, sem nenhuma discriminação, apoiando os governadores, como é a nossa obrigação. Contudo, a fila do SUS, ela acelerou 42% no Brasil, ela andou 42% mais rápido no Brasil, e aqui só 32%”, observou Haddad.
Para diminuir as filas do SUS, o candidato do PT prometeu mais hospitais-dia em São Paulo e lembrou que implantou 20 deles quando foi prefeito da capital, enquanto Tarcísio fez apenas sete como governador.
“Você sabe quantas unidades de saúde o Governo Federal financiou no PAC, Tarcísio? Você tem ideia? Quatrocentos e sete. Quatrocentos e sete equipamentos de saúde sendo financiados pelo PAC, do Governo Federal, para todos os municípios do estado de São Paulo. Entre CAPS [Centro de Atenção Psicossocial], UBS [Unidade Básica de Saúde], AME [Ambulatório Municipal de Especialidades], pronto-socorro, UPA [Unidade de Pronto Atendimento], tudo isso está sendo financiado pelo PAC”, discorreu Haddad.
Por fim, o petista reclamou da falta de investimentos em inteligência artificial a ser aplicada em saúde. O candidato prometeu reformular a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), o sistema do Governo de São Paulo que organiza as vagas de atendimento, exames, cirurgias e transferências de urgência pelo SUS.
“O Cross não funciona. Ele não coloca um centavo em inteligência artificial, nem para segurança, nem para educação, nem para saúde. O Estado de São Paulo está ficando para trás pelo baixo investimento que você faz em tecnologia. Nós estamos vivendo uma revolução tecnológica, você está no tempo do telefone fixo”, alfinetou Haddad.
Agência estadual antifacção
Sobre o tema da segurança pública, que aflige a população de São Paulo por conta da atuação das organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) no estado, Haddad se comprometeu em criar uma agência antifacção que reúna forças estaduais, Polícia Federal e Receita Federal. Os boletins de ocorrência serão transmitidos por meio do WhatsApp, com inteligência artificial. A Polícia Civil, por sua vez, receberá a valorização salarial merecida.
O candidato do PT usou a Operação Carbono Oculto, que conseguiu atingir o andar de cima do crime organizado, como inspiração para propor a agência antifacção. “Numa tacada só, nós acabamos com a máfia dos combustíveis, inclusive do amigo do [ex-governador] Cláudio Castro [PL], lá no Rio de Janeiro, a [refinaria] Refit; acabamos com o [Banco] Master, 15 dias depois o Banco Central foi obrigado a liquidar o Master, que estava negociando uma venda; e os fundos fraudulentos da REAG [Investimentos]”, enumerou Haddad.
Da Rede PT de Comunicação










