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Nilo do Banco encontra em Pariquera-Açu uma relíquia que resgata a história de Lionardo e sua antiga ligação com Lula

Durante uma visita a um antigo companheiro de caminhada, Nilo do Banco, liderança do PT em Pariquera-Açu e região, encontrou uma carteirinha sindical de 1979 que preserva a memória de Lionardo Bertoldo de Araujo, conhecido no bairro como Ceará, um metalúrgico que viveu de perto a organização dos trabalhadores no ABC paulista. Guardado por décadas, o documento foi emitido em 4 de setembro de 1979 e registra sua filiação ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de São Bernardo do Campo e Diadema. Na carteira está a assinatura de Luiz Inácio Lula da Silva, que naquele período atuava como liderança sindical dos metalúrgicos. Mais do que um registro de filiação, o documento preserva um capítulo da trajetória de Lionardo e, anos depois, ajuda a contar o reencontro de sua caminhada com a de Lula.

Entre a fábrica, a mudança de vida e o comércio do Ceará

Lionardo trabalhou na fundição da Volkswagen, na região do ABC paulista, vivendo o cotidiano de uma geração de trabalhadores que tinha na fábrica, no sindicato e na organização coletiva parte importante de sua vida. Depois de enfrentar problemas de saúde, deixou a região e veio para o Vale do Ribeira. Passou por diferentes atividades até se estabelecer em Pariquera-Açu, onde construiu uma nova etapa de sua história. Hoje, é conhecido como Ceará e mantém um pequeno comércio, um bar que se tornou ponto de encontro de moradores e clientes. Nilo conta que ele prefere não ser fotografado porque entende que, em seu estabelecimento, convivem pessoas com diferentes opiniões políticas e não quer que as divergências interfiram nas relações construídas ao longo dos anos. A escolha foi respeitada, preservando-se aquilo que talvez seja ainda mais importante: sua história.
Quando duas caminhadas voltaram a se encontrar

A relação entre essas duas trajetórias ganhou outro capítulo em 1995, quando, segundo o relato de Nilo do Banco, ele levou Lionardo para reencontrar Lula. Os dois já compartilhavam uma parte da história, construída décadas antes no universo dos trabalhadores metalúrgicos. ‘Ceará’, como é conhecido, havia seguido outro caminho, deixando o ABC e reconstruindo a vida em Pariquera-Açu; Lula, por sua vez, continuava sua trajetória iniciada no movimento sindical. O reencontro, lembrado por Nilo, dá ainda mais significado à antiga carteirinha. Entre a assinatura preservada no papel, a memória do chão de fábrica e a vida construída posteriormente no Vale do Ribeira, existe a história de duas pessoas que, em momentos diferentes, tiveram suas caminhadas entrelaçadas por um período importante da vida sindical brasileira. Uma história que hoje sobrevive na memória de Lionardo, nas lembranças de Nilo e naquela pequena carteira guardada como testemunho de um tempo que não voltou, mas que ainda pode ser contado e reforçado em mais uma oportunidade de voto num sistema democrático.

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