Encontro em São Paulo une candidatos a movimentos sociais e culturais para reforçar chamado às ruas, às redes e à conversa de porta em porta para conquistar votos e barrar o retrocesso
A disputa pelo futuro do Brasil exige que a força das propostas de Lula se transforme em conversa, presença nas ruas e voto. Esse foi o chamado da plenária que reuniu candidatos e movimentos sociais e culturais nesta terça-feira, 22, no Espaço Cultural Elza Soares, em São Paulo. A 12 dias do primeiro turno, o encontro colocou frente a frente os projetos em jogo: ampliar direitos e combater a desigualdade ou abrir caminho para o retrocesso e o avanço das milícias sobre o poder público.
O contraste ganhou força na intervenção do presidente nacional do PT, Edinho Silva, para quem as urnas definirão o país das próximas décadas. “O Brasil vai ter que responder se quer fortalecer as instituições ou se quer trazer para o país as mazelas que o Rio de Janeiro tenta derrotar”. Na avaliação do dirigente, a candidatura de Flávio Bolsonaro “representa exatamente a força da milícia organizada”, acusação que relacionou aos vínculos do senador com milicianos condenados pela Justiça.
Do outro lado dessa escolha, Edinho situou o Brasil que saiu duas vezes do Mapa da Fome e que busca avançar com o fim da escala 6×1, o fortalecimento do SUS, o combate às bets e ao endividamento das famílias. Um projeto que também pretende usar as riquezas naturais para reindustrializar o país e gerar empregos de qualidade. “A escolha é clara: ou é o Brasil da barbárie ou é o Brasil da igualdade, da democracia e das grandes reformas”.
Direitos e democracia contra o retrocesso
A dimensão dessa disputa ultrapassa as fronteiras brasileiras. Para Edinho, o resultado terá consequências para a América Latina e para a correlação de forças no mundo. O discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU foi citado como expressão desse protagonismo, e o presidente foi descrito pelo dirigente petista como a “maior liderança do mundo democrático”. Sustentar esse papel, porém, exige trabalho na reta final: “dialogar a cada minuto com o povo” para “derrotar o fascismo e a milícia”.
A necessidade de renovar a união que venceu o bolsonarismo em 2022 também atravessou a participação de Fernando Haddad, candidato ao Governo de São Paulo. O ex-ministro da Fazenda recuperou a formação da “chapa dos sonhos”, com Lula e Geraldo Alckmin, para ressaltar a tarefa de “unir forças novamente para vencer o retrocesso”.
Haddad contrapôs os “50 anos de história limpa” de Lula ao envolvimento que atribuiu a Flávio Bolsonaro “com rachadinha, com milícias, com o escândalo do Banco Master e liberação de emendas para milicianos”. O enfrentamento, advertiu, exige compreender os métodos do adversário.
“Enfrentamos uma extrema-direita que é uma patologia política destrutiva”, afirmou. Para Haddad, o bolsonarismo “não é um adversário fácil, pois eles jogam com a mentira, enquanto a nossa tradição é ir pra rua com argumentos e ética”.
Campanha permanente por Lula e pela chapa paulista
Transformar essa disposição em mobilização contínua foi a convocação de Marina Silva, candidata ao Senado. Nos 12 dias até o primeiro turno, a orientação é não “abaixar a guarda um minuto sequer”. “Devemos nos declarar em estado permanente de campanha”, conclamou.
O pedido de votos reuniu toda a chapa: Lula para presidente, Haddad para governador e Marina e Simone Tebet para o Senado. Tebet também participou da plenária, mas não discursou.
As propostas para proteger o orçamento das famílias deram conteúdo ao chamado eleitoral. O vice-presidente Geraldo Alckmin reafirmou que, no próximo mandato, o governo vai “agir firme contra as bets para proteger a economia popular e evitar o endividamento das famílias”. Também reiterou o compromisso da chapa de zerar os impostos da cesta básica de alimentos.
Pé na rua, celular na mão e conversa de porta em porta
Nos movimentos sociais, a tarefa ganhou endereço e método: chegar às periferias, ouvir os eleitores e mostrar como as propostas podem melhorar a vida de quem trabalha. João Pedro Stédile, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), apontou que, segundo as pesquisas eleitorais, a decisão passa “por uma parcela da população que está no meio”, formada majoritariamente por mulheres das periferias urbanas.
Para alcançar esse eleitorado, Stédile propôs colocar no centro da conversa a importância da reeleição para conquistas como a universalização do ensino em tempo integral e a redução da jornada de trabalho, uma das prioridades de Lula e do PT.
“Agora é tempo de arregaçar as mangas, formar brigadas e comitês e ir para a periferia, bater de casa em casa, entregar material e conversar. Não é tempo só de santinho, é tempo de discutir ideias, porque só assim nós vamos convencer quem ainda está indeciso ou não quer votar”, convocou.
A mobilização precisa alcançar também a tela do celular. Ana Paula Perles, coordenadora do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Teto (MTST) e da Frente Povo Sem Medo, resumiu essa combinação nos “dois Rs”: rua e redes. Panfletagens, carreatas e encontros devem caminhar junto com a disputa nas mídias sociais, terreno onde, segundo ela, a extrema-direita “deita e rola”. “A gente tem que estar com o pé na rua e o celular na mão”.
O chamado à participação veio acompanhado de um alerta sobre a soberania nacional. Para Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), o país vive uma “encruzilhada histórica”, pressionado pela extrema-direita interna e por interesses externos. Na avaliação do sindicalista, o projeto de Flávio Bolsonaro “advoga interesses particulares de um grupo de milicianos corruptos que querem entregar o patrimônio nacional ao capital externo e ao imperialismo norte-americano”.
Da Rede PT de Comunicação










