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Lula quer acabar com as bets para proteger famílias do endividamento

Programa eleitoral do presidente traz depoimentos de vítimas do vício e lembra que epidemia de apostas começou no governo Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou o horário eleitoral gratuito nesta segunda-feira, 21, para falar sobre como pretende acabar com as bets no Brasil. O presidente afirmou que a epidemia de apostas e endividamento “é mais grave do que qualquer outra droga”, porque atinge famílias inteiras. No vídeo, Lula assegurou que tomará providências para cuidar dos brasileiros que estão viciados em apostas, porque “ninguém pode gastar o leite da família jogando”.

Durante o programa, o presidente Lula também citou que o programa Desenrola Brasil ajudou milhares de brasileiros a sair da situação de endividamento, bloqueando por 12 meses os CPFs de pessoas que parcelaram suas dívidas, como medida de impedir novas apostas.

Assista:

Relatos emocionados
O programa eleitoral apresentou relatos de brasileiros e brasileiras que estão passando por problemas relacionados ao vício em bets, em conversas com o presidente Lula. São homens e mulheres que estão devendo até R$ 500 mil a agiotas e perderam bens como carro e até a casa. Eles contam sobre como a ilusão de vencer uma vez ou outra alimenta o vício, assim como a esperança de conseguir recuperar, por meio das apostas, o dinheiro já perdido nelas. Outro importante ponto citado durante os diálogos de lula com os brasileiros foi o incentivo presente nos mais diversos sites na internet e a publicidade de influenciadores nas redes sociais.

A peça também traz o depoimento de uma mãe cujo filho cometeu suicídio por conta do desespero diante do volume de suas dívidas. “Eu fico muito feliz quando ouço o senhor falar que quer acabar com as bets, porque não existe outro caminho: é cortar o mal pela raiz”, disse ela a Lula. O caso motivou a deputada federal Dandara (PT-MG) a elaborar um projeto de lei para proibir o lucro de influenciadores a partir das perdas de apostadores.

O futebol não depende das bets
A campanha lembrou que o futebol brasileiro existe muito antes das bets e seguirá existindo sem elas. Foi uma resposta à mobilização de clubes da Série A do Campeonato Brasileiro que defenderam a manutenção das casas de apostas dizendo que a proibição delas representaria “o fim do futebol”.

Durante comícios na semana passada, o presidente Lula lembrou que seis clubes brasileiros ganharam dez títulos mundiais e a Seleção venceu cinco Copas do Mundo – e nada disso dependeu do financiamento de casas de apostas.

Uma herança do bolsonarismo
As bets foram liberadas no governo de Michel Temer, mas foi com Jair Bolsonaro que elas se tornaram uma epidemia. Seu governo não taxou, não regulou e não fiscalizou as bets, que se multiplicaram no país. Agora, Flávio Bolsonaro quer perpetuar o legado do pai, visto que ele já defendeu publicamente a liberação de cassinos integrados a resorts para que a elite das apostas continue lucrando com o vício dos brasileiros.

O governo do presidente Lula se debruçou sobre o tema. Derrubou mais de 66 mil sites irregulares e proibiu a publicidade abusiva e dirigida a crianças e adolescentes. Também bloqueou o acesso, via CPF, para mais de 2,8 milhões de brasileiros beneficiários do Bolsa Família ou que renegociaram dívidas por meio do Desenrola, além de ter criado um programa de autobloqueio para travar o acesso às bets de uma só vez.

Lula passou a tratar as bets como uma doença social que está destruindo famílias. Para resolver o o problema, o presidente quer atuar em duas frentes: socorrer as famílias endividadas e jogar duro para acabar com as casas de apostas online.

Da Rede PT de Comunicação

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