O que uma mulher precisa encontrar em um plano de governo para acreditar que sua vida será realmente protegida?
Em períodos eleitorais, é comum ouvir candidaturas afirmarem que respeitam as mulheres e defendem seus direitos. Mas respeito não pode ser apenas uma palavra repetida durante a campanha. Precisa aparecer nas propostas, no orçamento público e nas prioridades assumidas por quem pretende governar.
Ao analisar um plano de governo, considero fundamental observar se existem compromissos concretos com o enfrentamento ao feminicídio e às diferentes formas de violência contra as mulheres. Não basta condenar uma agressão depois que ela acontece. É necessário construir uma rede capaz de prevenir a violência, acolher as vítimas, garantir medidas protetivas com rapidez, monitorar os agressores e oferecer condições para que cada mulher possa reconstruir sua vida.
Entre as propostas que analisei, estão a continuidade do Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio, a conclusão das Casas da Mulher Brasileira, Delegacia das Mulheres 24h e dos Centros de Referência da Mulher Brasileira, a ampliação das Salas Lilás, o aprimoramento do monitoramento de agressores e a capacitação das forças de segurança para atender adequadamente as vítimas.
São medidas importantes porque uma lei, sozinha, não protege ninguém. Para funcionar, ela precisa encontrar uma delegacia preparada, profissionais capacitados, atendimento humanizado e uma estrutura pública próxima de quem necessita. Essa rede também precisa chegar às pequenas cidades, às periferias, ao campo e aos lugares onde o acesso aos serviços ainda é mais difícil.
A violência, entretanto, não começa apenas na agressão física. Ela também se sustenta na dependência econômica, na desigualdade salarial, na sobrecarga com o trabalho doméstico e na ausência de oportunidades.
Por isso, propostas de igualdade salarial, qualificação profissional, apoio ao empreendedorismo feminino e acesso ao crédito para agricultoras e extrativistas também são políticas de proteção. Quando uma mulher possui renda, trabalho e autonomia, ela amplia suas possibilidades de decidir sobre a própria vida.
Também precisamos falar sobre o cuidado. Durante muito tempo, cuidar das crianças, das pessoas idosas, da casa e dos familiares foi tratado como uma obrigação natural das mulheres. É um trabalho indispensável para toda a sociedade, mas que permanece distribuído de maneira profundamente desigual.
Como homem, sei que não me cabe falar pelas mulheres. Cabe-me escutá-las, reconhecer as desigualdades que atravessam suas vidas e assumir a responsabilidade de enfrentá-las também. O combate ao machismo não pode ser uma tarefa entregue somente às mulheres.
Nas Eleições de 2026, precisamos perguntar às candidaturas como pretendem proteger a vida das mulheres, garantir sua autonomia e enfrentar desigualdades que ainda são tratadas como naturais.
Mais mulheres também precisam estar nos espaços em que as decisões são tomadas. Nenhuma democracia estará completa enquanto elas forem maioria na sociedade, mas continuarem sub-representadas na política.
Direitos não podem aparecer somente nos discursos de campanha. Precisam estar escritos nos programas, previstos nos orçamentos e presentes na vida cotidiana. Porque um país que não garante às mulheres o direito de viver sem violência, com autonomia, saúde e dignidade, ainda não pode se considerar verdadeiramente democrático.
Helber Henrique Guedes é Vice-presidente do PT de Presidente Prudente










