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Secretaria das Mulheres do PT pede investigação de ataques criminosos a candidatas

Dirigentes petistas lembram que país já possui legislação para combater violência política contra a mulher e pede que todos os partidos disponibilizem atendimento jurídico

A Secretaria Nacional de Mulheres do PT vem a público expressar repúdio aos variados casos de violência política de gênero que estão acontecendo durante o período dessas eleições.

Porém, somente repudiar não basta. Exigimos que todos os órgãos responsáveis, da Polícia Civil ao Ministério Público Eleitoral, investiguem os casos com prioridade absoluta identificando toda a rede criminosa que organiza e financia esses ataques.

Já temos a Lei nº 14.192/2021 que estabelece normas para prevenir, reprimir e combater a violência política contra a mulher, porém tem sido comum que ataques políticos graves sejam minimizados ou registrados como crimes de menor potencial ofensivo, como injúria comum ou difamação, em vez de violência política de gênero e isso precisa mudar.

Outra medida importante é a escolta. Estamos em período de campanha. É fundamental que as candidatas e seus familiares tenham proteção física para seguirem sustentando uma mudança no projeto da nação que clama por mais mulheres nos espaços de gestão.

Cobramos também, a todos os partidos, que garantam às suas candidatas acolhimento jurídico, psicológico e político para que elas não fiquem desamparadas. A violência política de gênero não afeta apenas a candidata, mas atenta contra a própria democracia, pois pretende silenciar a representação de metade da população brasileira e impedir o acesso ao espaço de gestão para que não consigamos modificar estruturalmente o país para evitar as variadas violências contra as mulheres.

Historicamente o medo foi — e continua sendo — um dos principais fatores de exclusão de mulheres no processo eleitoral. É importante ressaltar que é um dado alarmante. Segundo a pesquisa “Violência Política e Eleitoral no Brasil”, coordenada por organizações civis e observatórios, nas eleições municipais de 2024 registraram um recorde de 558 casos de violência política contra candidatas, consolidando-se como o maior número já documentado no país.

Para se ter uma dimensão da persistência desse crime antes desse ápice, dados do Ministério Público Federal (MPF) calculavam que o Brasil registrava, em média, 7 novos procedimentos de violência política de gênero a cada 30 dias.

Precisamos de um engajamento coletivo. Convocamos a imprensa, as entidades da sociedade civil e os eleitores a isolarem e denunciarem discursos de ódio, independentemente de divergências ideológicas. É preciso parar de enxergar os ataques à honra, os deepfakes e as ameaças como “o preço natural a se pagar por entrar na política”.

Uma sociedade diversa precisa de visões diversas. Sem mulheres na política, temas cruciais como saúde materna, redes de apoio à infância e combate ao feminicídio perdem centralidade no orçamento público. É urgente que as denúncias sejam transformadas em punições reais antes do fim dos mandatos.

Secretaria Nacional de Mulheres do Partido dos Trabalhadores
8 de setembro de 2026

Da Redação do Elas por Elas.

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