O Brasil, em seus momentos de efervescência cultural, sempre nos presenteou com palcos que vão muito além do entretenimento. Recentemente, fui tomado por uma reflexão profunda ao observar dois eventos que, embora musicais, expuseram as entranhas de nossa sociedade: o rodeio de Barretos e o festival de rock no Rio de Janeiro.
Em Barretos, o que vi foi um espetáculo amargo. A força do agronegócio, que move a economia, infelizmente se prestou ao papel de palco para o ódio político. Ver bonecos enforcados representando petistas e ouvir os gritos orquestrados de “fora, Lula” não foi apenas uma manifestação política; foi a materialização de uma classe que, empoderada pelo capital, parece ter perdido a capacidade de dialogar e enxergar o próximo. Ali, a música sertaneja, muitas vezes, serviu como trilha sonora para a intolerância, transformando a festa do povo em um ato de agressão disfarçado de tradição.
Do outro lado, tivemos o rock. Capital Inicial, Detonautas e Biquíni Cavadão subiram ao palco no Rio de Janeiro, mas não trouxeram apenas acordes e refrões. Trouxeram a alma inquieta da juventude, a voz da periferia e a essência da luta de classes. As letras desses artistas não se curvam ao poder econômico; elas questionam, denunciam e acolhem. A diferença entre o rock e o sertanejo que vimos em Barretos não está apenas no gênero musical, mas na proposta de mundo que cada um carrega.
Nas letras do rock, encontramos a complexidade das emoções humanas, a crítica social e o grito por liberdade. No comportamento de seu público, vejo homens, mulheres e jovens que se abraçam sem medo de serem quem são, que levantam os punhos não para agredir, mas para celebrar a resiliência. Já no extremo oposto, a emoção do sertanejo agro parecia presa a uma bolha de privilégios, onde a única liberdade permitida é a de consumir e excluir.
Aí está a grande lição que a música me ensinou: ela é o termômetro da consciência de uma nação. Por isso, meu voto e minha crença estão com o presidente Lula. Não por modismo ou paixão cega, mas porque seus discursos ecoam a democracia e o amor genuíno pelo Brasil. Enquanto uns enforcam bonecos, o governo Lula enxerga a fome e estende a mão através de programas sociais que tiram o povo da miséria. Enquanto uns gritam pelo fim da liberdade, Lula fala em reconstrução e união.
Que possamos ouvir mais rock, no sentido mais amplo da palavra: o som da rebeldia que constrói, da emoção que liberta e da luta que dignifica. Que possamos transformar nossos palcos em trincheiras de paz e nossas urnas em ferramentas de esperança.
Viva a música. Viva a liberdade. Viva o Brasil. Por isso, voto Lula presidente.
Gerson Carlos Pereira é diretor do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e membro da CUT – Jundiaí, onde também foi dirigente.










