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Nelita Frank, candidata a deputada estadual em Roraima, leva trajetória de luta pelas mulheres, pelos trabalhadores e pela justiça socioambiental

Socióloga e candidata do PT reúne quase três décadas de atuação em defesa dos direitos das mulheres, dos servidores públicos e das populações amazônicas

A candidatura de Nelita Frank a deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores de Roraima representa a continuidade de uma trajetória construída no serviço público, no movimento sindical, na educação popular e na defesa dos direitos das mulheres. Com o número 13500, a socióloga disputa uma vaga na Assembleia Legislativa defendendo três eixos centrais: trabalho e renda, mulheres e direitos e justiça socioambiental.

A participação de Nelita na eleição suplementar para o Governo de Roraima, realizada em junho de 2026, foi sua primeira candidatura a um cargo eletivo. Ao lado de Bartô Macuxi, candidato a vice-governador, ela recebeu 8.948 votos, o equivalente a 3,40% dos votos válidos, e terminou a disputa na terceira colocação. O resultado foi confirmado pela Justiça Eleitoral⁠.

Após a eleição suplementar, Nelita decidiu colocar sua experiência à disposição da população roraimense em uma nova caminhada. Em julho, anunciou a pré-candidatura a deputada estadual, destacando que pretende atuar com diálogo, responsabilidade, transparência e compromisso com as necessidades reais da população. A decisão foi divulgada pela Folha de Boa Vista⁠.

Uma vida dedicada ao serviço público e à organização dos trabalhadores

Nascida em Itapetinga, na Bahia, Nelita Frank reside em Roraima desde 1997. É formada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Pará, com licenciatura e bacharelado. Também possui especializações em Gestão para o Etnodesenvolvimento, pela Universidade Federal de Roraima, e em Políticas Públicas de Trabalho e Renda, pela Universidade Estadual de Campinas.

Na UFRR, concluiu o mestrado em Sociedade e Fronteiras, desenvolvendo uma pesquisa sobre as experiências de mulheres indígenas Wapichana e Macuxi em deslocamento na fronteira entre o Brasil e a Guiana. Sua formação acadêmica e sua atuação social reforçam o compromisso com as populações amazônicas, as mulheres e as comunidades que historicamente enfrentam dificuldades para acessar direitos e políticas públicas.

Nelita também construiu uma longa trajetória como servidora pública federal, vinculada ao Ministério do Trabalho em Roraima, onde permaneceu até a aposentadoria.

Sua participação no movimento sindical começou no Pará, no início da década de 1990, pouco depois da aprovação do Regime Jurídico Único, instituído pela Lei nº 8.112. Naquele período, quando a comunicação entre os trabalhadores era feita principalmente por telefone, telex e, posteriormente, fax, Nelita participou do processo de fundação do sindicato dos servidores públicos federais do estado.

Primeiro, integrou a diretoria provisória na Secretaria de Administração. Depois, foi eleita diretora de Finanças e, posteriormente, passou a fazer parte da Coordenação Geral Colegiada. Durante essa trajetória, participou de diversas greves nacionais do funcionalismo público, defendendo melhores condições de trabalho, valorização profissional e garantia de direitos.

Quase três décadas de luta pelos direitos das mulheres
Uma das partes mais marcantes da trajetória de Nelita Frank é sua atuação no Núcleo de Mulheres de Roraima, o NUMUR. Criado em 8 de março de 1998, o Núcleo não é uma entidade formalmente constituída com CNPJ, mas um agrupamento de mulheres feministas dedicado à organização, à mobilização social e à defesa de políticas públicas para as mulheres.

Nacionalmente, o NUMUR está vinculado à luta feminista por meio da Articulação de Mulheres Brasileiras, a AMB. Ao longo dos anos, suas integrantes participaram de conferências municipais, estaduais e nacionais, fóruns sociais pan-amazônicos e edições do Fórum Social Mundial.

Nelita é reconhecida como uma das fundadoras do grupo e mantém uma participação ativa nas mobilizações promovidas em Roraima. Antes mesmo de sua entrada na disputa eleitoral, ela já era identificada publicamente como uma liderança do movimento feminista no estado. Em reportagem publicada em 2023, a Gênero e Número⁠ destacou sua atuação no NUMUR e na Articulação de Mulheres Brasileiras.

“O enfrentamento à violência contra a mulher sempre foi o carro-chefe das nossas ações em Roraima. Fizemos mobilização pela aprovação da Lei Maria da Penha, passeatas, atos e campanhas em defesa das mulheres e das meninas”, afirma Nelita.

Entre as ações realizadas estão a coleta de assinaturas em apoio à aprovação da Lei Maria da Penha, manifestações públicas, atividades de conscientização e mobilizações recentes contra a violência sexual e a gravidez infantil, com a campanha “Criança não é mãe”.

No mês em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos, Nelita chama a atenção para a necessidade de transformar a legislação em proteção efetiva, com orçamento, atendimento especializado, prevenção e presença do poder público também nos municípios do interior.

A urgência dessa pauta aparece nos indicadores. Entre 2021 e 2023, Roraima registrou 1.544 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes. Somente em 2023, foram 556 vítimas, segundo dados divulgados pelo UNICEF e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, repercutidos pela Folha de Boa Vista⁠.

Atuação nacional na formulação de políticas para mulheres
A experiência de Nelita ultrapassou as fronteiras de Roraima. Ela foi conselheira do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, representando a Articulação de Mulheres Brasileiras.

Registros oficiais do Governo Federal mostram sua participação no colegiado e em atividades voltadas à formulação e ao controle social das políticas públicas para as mulheres. Em 2008, Nelita integrou a comissão responsável pela elaboração do regimento interno do Conselho. Também participou da organização de conferências e debates nacionais sobre autonomia, igualdade, enfrentamento à violência, participação política e direitos sociais.

A atuação no Conselho Nacional dos Direitos da Mulher fortaleceu a experiência de Nelita na construção de políticas públicas e no diálogo entre movimentos sociais, governos e diferentes setores da sociedade.

Compromisso com Roraima
Na campanha para deputada estadual, Nelita Frank apresenta uma plataforma construída a partir de sua própria trajetória. Na área de trabalho e renda, defende oportunidades e valorização para quem trabalha. Na pauta das mulheres, propõe mais voz, autonomia, proteção e participação nas decisões políticas. No campo socioambiental, defende um modelo de desenvolvimento que respeite as pessoas, as comunidades e os territórios de Roraima.

Sua experiência em pesquisas sociais, no serviço público e nos movimentos populares também orienta a defesa das comunidades tradicionais, dos povos indígenas, das populações do campo e das famílias que vivem nas regiões de fronteira.

Para Nelita, ocupar a Assembleia Legislativa significa levar essas lutas para o centro das decisões do Estado, ajudando a transformar demandas históricas em leis, orçamento e fiscalização das políticas públicas.

Com o número 13500, Nelita Frank chega à disputa por uma vaga de deputada estadual levando uma história de organização coletiva, compromisso social e defesa dos direitos. Uma caminhada que começou muito antes das urnas e que agora busca ampliar a representação das mulheres, dos trabalhadores e das comunidades de Roraima dentro do Parlamento estadual.

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