Em declarações dadas à imprensa no último dia 13, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, direcionou duras críticas ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e ao senador Flávio Bolsonaro por conta do alinhamento político de ambos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As falas de Haddad ocorrem às vésperas de um esperado anúncio por parte do governo norte-americano sobre a imposição de novas tarifas e taxas alfandegárias que pretendem atingir diretamente produtos de exportação brasileiros.
Durante a entrevista, Haddad foi questionado sobre as estratégias para ampliar sua votação no interior paulista. Ao responder, ele contra-atacou, afirmando que as principais lideranças da oposição no estado agem contra os interesses econômicos da própria região que dizem defender:
“Todas as ações do Trump, que têm o apoio do Tarcísio e do Flávio, prejudicam o interior de São Paulo. Todas. Quem vai mais ser prejudicado por um novo tarifaço do Trump é o interior de São Paulo. E você nunca vai me ver com o boné do Trump ou me elogiando ações contra a soberania do Brasil que partam do presidente dos Estados Unidos”.
O risco do “tarifaço” contra o agronegócio paulista
De acordo com o ministro, as ameaças de barreiras comerciais e tarifas protecionistas defendidas pela administração republicana nos EUA representam o principal ponto de preocupação para o agronegócio atualmente. Haddad ressaltou que esse risco surge justamente em um momento de excelente desempenho do setor no país sob a gestão atual.
“Enquanto o Brasil bate recordes na produção agrícola, amplia o Plano Safra e reduz a inflação dos alimentos, o maior risco para o agro hoje é a ameaça de um tarifaço apoiado pelo bolsonarismo”.
Haddad comparou o atual cenário com o período do governo anterior, apontando que, sob a gestão Lula, problemas históricos de inflação de alimentos foram superados. Ele argumentou que, por conta disso, a maior instabilidade atual para o produtor rural brasileiro não vem de fatores internos, mas sim das políticas protecionistas americanas que contam com a complacência de lideranças bolsonaristas locais.
“São problemas que o agro enfrenta e enfrentou durante o governo Bolsonaro que não existiam [hoje], e hoje o maior problema que a gente enfrenta é a ameaça dos Estados Unidos com o apoio do bolsonarismo”, concluiu Haddad.
Por Luiz Henrique Gurgel (Galera Vermelha)










