Em entrevista concedida ao programa Chico Pinheiro Entrevista, no canal ICL Notícias, o candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad detalhou suas propostas estruturais para a segurança pública. Criticando o modelo tradicional baseado em reações isoladas, o ex-ministro defendeu um plano fundamentado na interdependência sistêmica, dividido em três camadas operacionais: estratégica, tática e social.
Segundo Haddad, o combate eficaz à criminalidade exige o abandono de políticas focadas apenas na compra pontual de viaturas e coletes. “A segurança pública não pode ser uma lista de supermercado”, afirmou o candidato, sinalizando a necessidade de conectar a inteligência financeira ao patrulhamento das ruas e à assistência doméstica.
As Três Linhas de Ação do Plano Técnico
O plano desenhado por Haddad redistribui as forças do Estado para atuar de forma simultânea em diferentes frentes de vulnerabilidade e poder do crime:
1. Asfixia Financeira do Crime Organizado
No topo da pirâmide (camada estratégica), a proposta foca em desmantelar a estrutura econômica que sustenta as facções criminosas. Haddad propõe a criação e presidência direta, pelo próprio Governador, de um Gabinete Permanente de Segurança Pública, exigindo uma agenda semanal mínima de quatro horas presenciais para coordenação da mesa.
O órgão atuará quebrando o isolamento das forças policiais por meio da integração contínua entre a Polícia Civil, Polícia Militar, Receita Federal, COAF, Polícia Federal e os Ministérios Públicos Estadual (MPSP) e Federal (MPF). A meta declarada é replicar de forma contínua operações semelhantes à Carbono Oculto, que congelou bilhões de reais ao alvejar redes de postos e distribuidoras de combustíveis utilizadas para lavagem de dinheiro.
2. Tecnologia no Espaço Público contra Crimes de Oportunidade
A camada tática foca nos crimes de rua que impactam o cotidiano dos cidadãos, como roubos e furtos. Para combatê-los, Haddad propõe o uso de sistemas de inteligência artificial aplicados a câmeras e radares urbanos para viabilizar o georreferenciamento e o flagrante inteligente.
Outro pilar técnico mencionado é a adoção do modelo de rastreamento de celulares implementado originalmente no Piauí. Utilizando o número do IMEI, o Estado visa desativar de maneira coordenada os aparelhos roubados, inviabilizando o mercado de receptação. O plano inclui ainda a revitalização urbana através da ampliação da iluminação LED em zonas periféricas e de transporte comercial.
3. Enfrentamento à Violência Doméstica e Oculta
A terceira camada atua nos ambientes privados e familiares, onde o patrulhamento ostensivo convencional não tem alcance. A proposta prevê a criação de redes integradas para conter índices de feminicídio, estupro de vulnerável e violência contra idosos e pessoas com deficiência. Na área tecnológica, Haddad sugere a reformulação de aplicativos de pânico voltados à proteção da mulher, conectando-os diretamente aos bancos de dados de medidas protetivas do Judiciário para acelerar as respostas comunitárias e policiais.
Gestão e Meritocracia
O modelo sugerido estipula uma prestação de contas trimestral dos índices de criminalidade junto à sociedade civil e à academia. Internamente, Haddad defendeu o retorno rigoroso aos critérios de promoção por mérito na Polícia Militar, argumentando que a cadeia de comando e o equilíbrio das corporações foram fragilizados por lógicas de compadrio político.
Para acompanhar a íntegra das declarações sobre a reestruturação das polícias e os pilares de desenvolvimento propostos pelo candidato, assista ao vídeo completo no Chico Pinheiro Entrevista com Fernando Haddad. Essa entrevista traz todos os detalhes diretamente da conversa conduzida pelo jornalista Chico Pinheiro no canal do ICL Notícias.










