Diário do Golpe

Alckmin entra na mira da Justiça

Ex-governador pode ter problemas em sua candidatura

Em manifestação enviada ao STJ nesta quarta-feira (11), a PGR (Procuradoria Geral da República) defendeu que um inquérito contra o presidente nacional do PSDB e pré-candidato às eleições, Geraldo Alckmin, seja comandado pela Justiça Eleitoral e que não fique a cargo da Operação Lava Jato. O parecer contraria pedido feito ontem (10) pelo MPF (Ministério Público Federal)

O argumento apresentado no relatório, assinado pelo vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia, é de que o suposto crime teria âmbito eleitoral. Por isso, a Justiça Eleitoral seria a competente para analisar a investigação. Além de Alckmin, o MPF pediu para investigar outros 12 suspeitos no âmbito da Lava Jato, entre eles, outros ex-governadores. Os nomes não foram divulgados. Para supostos crimes eleitorais, Mariz Maia também sugeriu que a investigação corresse pela Justiça Eleitoral. Quem vai definir para onde vai o inquérito contra o ex-governador de São Paulo, que corre em segredo de justiça, será a relatora do caso no STJ, a ministra Nancy Andrighi.

Suposto recebimento de R$ 10,7 milhões da Odebrecht – O inquérito que está no STJ e que o MP quer apurar investiga se Alckmin recebeu R$ 10,7 milhões da construtora Odebrecht, como contaram executivos da empresa em seu acordo de delação firmado no ano passado. Segundo a denúncia, parte do dinheiro supostamente recebido teria sido entregue ao cunhado de Alckmin, o empresário Ademar César Ribeiro. Os valores teriam sido entregues em 2010 e 2014 para campanhas eleitorais, de acordo com os delatores da Odebrecht. Em nota, a defesa de Alckmin afirmou que “se surpreendeu com a notícia do açodamento de setores do Ministério Público Federal, já que o processo esta tramitando normalmente e será remetido, em termo oportuno, para instância competente.” Ainda segundo a defesa, “espera-se que a apuração dos fatos continue a ser feita de forma isenta e equilibrada, sem contaminação política”. Ela repele a ideia que o inquérito, enquanto tramitou no STJ e na PGR, tenha servido de ‘blindagem’ para o ex-governador

Perda de foro – Quatro governadores citados ou denunciados pela Lava Jato que renunciaram para disputar outros cargos na eleição de 2018 perderam o foro privilegiado e poderiam ter seus processos enviados à primeira instância: Beto Richa (PSDB-PR), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Raimundo Colombo (PSD-SC). Com a perda do foro, as acusações contra eles podem ser enviadas a juízos de primeira instância, entre os quais a 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba onde atua o juiz Sergio Moro, responsável por grande parte das condenações na Lava Jato, incluindo a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A força-tarefa paulista da Lava Jato foi reforçada em 6 de fevereiro, passando de 3 para 11 procuradores, segundo o jornal Folha de S.Paulo. Dois dos novos integrantes haviam atuado com Rodrigo Janot em inquéritos contra políticos.

Fonte: FolhaSP/Luis Adorno

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