Diário do Golpe

O Império Politico de Aécio em Minas Gerais desabou.

Estremecimento nas articulações políticas e endividamento de Minas em mais de uma década de gestão tucana fizeram cair a máscara do senador Aécio Neves.

Desde que iniciou o primeiro mandato como governador de Minas, em 2003, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) adotou um perfil distinto do avô, que notabilizou-se pela liderança personalista. O tucano se vendia como estadista. “Aécio é um facilitador, nunca foi protagonista”, afirma o cientista político Rudá Ricci. Os relatos foram publicados no El País.

O atual senador tenta aglutinar forças antagônicas, como PT e PSDB, o que levava vários prefeitos do interior a apoiarem o PSDB no estado e, ao mesmo tempo, o PT, no plano nacional. Como consequência, o tucano tentou resgatar para a cena política mineira o ex-ministro Pimenta da Veiga do ostracismo e escolhê-lo para a sucessão de Antonio Anastasia no governo mineiro em 2014.

Aliados viram esta jogada como um erro fatal da trajetória política de Aécio, que passou a ser visto como traidor do deputado federal Marcus Pestana, regente de um importante núcleo eleitoral na Zona da Mata mineira e candidato natural ao governo.

“O Aécio não traiu somente o Marcus Pestana, mas toda a rede que ele liderava no interior, que foi rapidamente desarticulada. Na campanha, havia prefeitos ligados ao Pestana posando para fotos com o Fernando Pimentel [candidato do PT que acabou superando Pimenta da Veiga no primeiro turno]. Foi um erro grosseiro de cálculo político”, afirma Ricci.

Crise

Além do estremecimento nas articulações políticas, a crise econômica em Minas afetaria Aécio. Em pouco mais de uma década à frente do executivo, a administração tucana, que dizia fazer “choque de gestão”, fez de Minas o segundo estado mais endividado do país, conforme relato do El País. “O modelo do Aécio se restringia às relações econômicas e negligenciava as políticas. A partir do momento em que se fecha a torneira e o dinheiro acaba, essa estrutura não se sustenta mais”, avalia Ricci.

Do Congresso, o senador também tinha dificuldades em atender às demandas estaduais com emendas parlamentares. “Aécio sempre foi um insider da política, de postura centrista”, diz Reis. “Ao partir para o ataque contra o PT, ele saiu de seu hábitat e fez do impeachment a última cartada pela presidência. Mas, como tinha retaguarda vulnerável, acabou se expondo demais”.

A boa relação de Aécio com a imprensa, somado à dependência das verbas de publicidade estatal, deixou o tucano blindado. Vários jornalistas mineiros despedidos durante a proeminência do aecismo atribuem a demissão a exigências de Andrea Neves, irmã dele. De acordo com o Sindicato de Jornalistas de Minas Gerais, ela “exercia forte controle sobre as publicações no estado e perseguia críticos de Aécio”.

Após prisão de Andrea, que teria negociado pessoalmente com Joesley Batista, da JBS, os R$ 2 milhões de propina repassados por meio de Frederico Costa, primo de Aécio, dezenas de jornalistas promoveram um encontro no sindicato para celebrar o que chamaram de “Dia da Liberdade de Imprensa em Minas Gerais”.

Propina

O senador foi alvo de uma gravação bombástica da Polícia Federal no ano passado. Segundo o áudio, o tucano pedia propina milionária ao empresário Joesley Batista. Depois, Aécio perdeu força no PSDB – ele já havia sido derrotado na eleição presidencial de 2014 em seu próprio reduto eleitoral tanto no primeiro como no segundo turno.

Nesta semana, o parlamentar virou réu no Supremo Tribunal Federal por corrupção e obstrução judicial. “Esse escândalo é a concretização do desgaste que se desenhava há alguns anos. O declínio de Aécio deixa um vácuo de lideranças políticas sem precedentes na história de Minas”, afirma Rudá Ricci.

Fonte: Brasil 247

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