Diário do Golpe

A questão ambiental na herança deixada por Alckmin

No setor de Saneamento e Meio Ambiente, Alckmin deixou a desejar não investindo o que deveria, sempre buscando parcerias com setores privados e aprofundando a terceirização.

No setor de Saneamento e Meio Ambiente, Alckmin deixou a desejar não investindo o que deveria, sempre buscando parcerias com setores privados e aprofundando a terceirização de setores estratégicos e de responsabilidade do Estado, como os parques estaduais que se encontram em situações de total abandono e degradação.

É o caso da aprovação do Projeto de Lei 249/2013, que privatiza a exploração dos parques e abre a exploração das matas, deixando os trabalhadores sem a reposição salarial há mais de três anos enquanto na estrutura sobram cargos e indicações políticas. Justo esses companheiros que são os responsáveis pela preservação e o combate ao desmatamento ficam vulneráveis a caçadores e palmiteiros na Mata Atlântica em todo Estado.

Na Sabesp, seu projeto foi de colocar a maior e mais rentável empresa de saneamento do País sob a lógica do mercado, com ações nas bolsas de valores de São Paulo e Nova York, aprofundando uma visão administrativa, que sempre busca o lucro em detrimento da universalização do saneamento, distribuindo só na última década o montante de mais de R$ 5 bilhões aos acionistas.

No ano de 2015, São Paulo enfrentou a maior crise hídrica de sua história. O sistema Cantareira, que é responsável pelo abastecimento de água para 9 milhões de habitantes na região metropolitana e produz 33mil litros de água potável por segundo, quase chegou à beira do colapso, atingindo os níveis mais baixos de sua história, obrigando a Sabesp a sobrecarregar outros sistemas produtores como o Alto Tietê, Guarapiranga e Rio Grande. E mais, contaminando todo o sistema de abastecimento da região metropolitana, obrigando o governo e a empresa a fazerem um racionamento de água que só atingia os bairros mais pobres da periferia, que sentiam na pele o fato de ficarem dias sem abastecimento, já que a população mais pobre sequer tem um sistema mínimo de reserva, dependendo do abastecimento direto.

A crise só não foi maior graças aos trabalhadores e trabalhadoras que deram conta das demandas, das obras e das manobras emergenciais no atendimento à população, chegando ao ponto de muitas vezes serem hostilizados e até ficando como reféns quando a água faltava por muitos dias. A imprensa camuflava e escondia da população a verdadeira situação.

Alckmin foi o grande responsável por essa situação, uma vez que não agiu como deveria, antecipando-se aos fatos e planejando, através de investimentos e ampliação de novos sistemas de reserva e interligação, investimentos maciços por meio de uma política pública de melhoria da eficiência operacional do parque instalado, por meio do controle e redução de perdas de água, a redução consistente dos serviços de manutenção em tubulações, uma vez que 30% da água tratada pronta para o consumo humano se perde em vazamentos e fraudes.

Como podemos ver, faltaram estratégia e visão de futuro no governo. Nas obras que estão sendo feitas após a população ser penalizada e o maior Estado da Federação estar à frente dos acontecimentos, é preciso haver a capacidade de investir e se programar na busca da universalização do saneamento, cabendo ao estado esse papel.

Texto René José Keller para O portal Vermelho.

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